Mostrar mensagens com a etiqueta Erros inatos do metabolismo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Erros inatos do metabolismo. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 9 de abril de 2019

Conferência Mundial de Glicogenoses 2019 será sediada no Brasil

A 5ª Conferência Internacional GSD (IGSD2019) ocorrerá em Porto Alegre, de 14 a 16 de novembro de 2019. 

A imagem pode conter: texto

O objetivo do IGSD2019 é conectar especialistas e pacientes com glicogenoses, compartilhar ideias, estimular a colaboração internacional e melhorar as perspectivas futuras do melhor atendimento da Glicogenose hepática e muscular a todos os pacientes e famílias.

Resultado de imagem para barra shopping sul centro eventos
O IGSD2019 irá ocorrer no Centro de Convenções do Barra Shopping Sul, em Porto Alegre, e contará com o apoio científico e operacional do Serviço de Genética Médica - Unidade Metabólica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA).

Temas:

  • Glicogenoses hepáticas e musculares
  • Novas perspectivas terapêuticas e pesquisas  no campo das Glicogenoses


quinta-feira, 4 de abril de 2019

Deficiência de Biotinidase: saiba mais

A deficiência de biotinidase é um erro inato do metabolismo, de causa genética, caracterizada pelo mau funcionamento de uma enzima. Enzimas são proteínas responsáveis por auxiliar o organismo a realizar diversas reações químicas, como a digestão de alimentos, a retirada de substâncias tóxicas e a obtenção de energia para o adequado funcionamento cerebral.


No caso desta doença, a enzima que tem o funcionamento comprometido se chama biotinidase. Ela é responsável por separar e liberar a vitamina biotina dos alimentos (vitamina B7 ou B8). Uma vez livre, a biotina auxilia outras enzimas na quebra de algumas gorduras, carboidratos e proteínas. A biotinidase também recicla a biotina, permitindo a reutilização da vitamina pelo organismo. Assim, não é preciso ingerir grandes quantidades da biotina pelos alimentos.

Quando a enzima biotinidase não funciona adequadamente, ou seja, quando ela tem a atividade deficiente, a liberação da vitamina biotina também é prejudicada. A vitamina não consegue ser liberada dos alimentos e, por isso, não é utilizada pelo organismo. Para compensar a falta dessa enzima, o corpo precisa de grandes quantidades da vitamina biotina já livre.

A deficiência de biotinidase pode ser classificada como parcial ou profunda, dependendo do nível de comprometimento da atividade enzimática.

Quanto mais cedo a deficiência de biotinidase for diagnosticada, mais rápido é iniciado o tratamento com reposição da vitamina biotina livre e menos chances terá a criança de manifestar os sinais e sintomas características da doença.

Por esse motivo, o exame de triagem neonatal (ou teste do pezinho), realizado em todos os recém-nascidos é fundamental para o diagnóstico precoce, ainda antes de haver qualquer tipo de manifestação clínica.

A prevalência da deficiência de biotinidase pode variar de acordo com a população estudada. No Brasil, estima-se uma incidência aproximada de 1 criança acometida para cada 60.000 nascidos.


Diagnóstico:

O diagnóstico precoce da deficiência de biotinidase só é possível pela realização do exame de triagem neonatal (teste do pezinho). Este exame laboratorial, coletado entre o 3º e o 5º dia de vida, permite avaliar o nível da atividade da enzima biotinidase.

O resultado positivo indica que a atividade da enzima está baixa, o que representa suspeita para a doença. Neste caso, nova amostra de sangue em papel filtro deve ser colhida. Diante de um segundo resultado alterado, a criança é encaminhada para consulta médica e o tratamento já é iniciado.

No terceiro mês de vida, uma nova amostra de sangue é colhida para confirmar ou afastar a suspeita de deficiência de biotinidase a partir de um teste quantitativo.

Os resultados do teste quantitativo podem apontar:
  • Deficiência de biotinidase profunda: atividade da enzima menor que 10% da atividade média normal.
  • Deficiência de biotinidase parcial: atividade da enzima encontra-se entre 10% a 30% da atividade média normal.
  • Atividade reduzida porém sem deficiência (neste caso não há indicação de tratamento, mas é importante procurar atendimento com um médico geneticista para aconselhamento genético e investigação adequada).
Importante! O diagnóstico torna possível o início imediato do tratamento, o que evita a manifestação da doença e garante que a criança cresça e se desenvolva normalmente.

Os pacientes com testes de triagem alterados (parcial ou total), identificados pela análise da enzima biotina, serão classificados como suspeitos até a confirmação ou não do diagnóstico, que será estabelecido a partir do teste quantitativo da atividade de biotinidase, podendo ser ou não complementado com estudo genético-molecular, para detecção de mutações no gene da biotinidase (gene BTD) localizado no cromossomo 3p25.


Sinais e sintomas:

Caso não tratada, a deficiência de biotinidase geralmente manifesta-se a partir do terceiro mês de vida com distúrbios neurológicos e cutâneos tais como crises epiléticas, hipotonia, microcefalia, atraso do desenvolvimento neuropsicomotor, alopecia e dermatite eczematoide. Nos pacientes com diagnóstico tardio podem observar-se, distúrbios visuais, auditivos, assim como atraso motor e de linguagem.

Algumas das manifestações clínicas (em caso de não-tratamento ou tratamento tardio) incluem:
  • Atraso de desenvolvimento
  • Convulsões
  • Problemas respiratórios: apnéia (ausência de respiração), taquipnéia (respiração rápida), hiperventilação, respiração ruidosa
  • Problemas de pele: seborreia, dermatite, erupções de pele
  • Queda de cabelo parcial ou total (alopécia)
  • Hepatoesplenomegalia (aumento do fígado e do baço)
  • Perdas de audição e visão
  • Problemas na fala
  • Problemas na coordenação dos movimentos (ataxia)
  • Infecções repetidas
  • Hipotonia (tônus muscular reduzido)
  • Letargia (sensibilidade e funcionamento motor lentos)
  • Acidemia láctica (acúmulo de ácido lático no organismo)
  • Coma

E depois da confirmação? Como tratar?

O tratamento da deficiência de biotinidase consiste na ingestão oral da vitamina biotina, por toda a vida. A dose determinada é de 10 mg por dia, tanto nos casos de deficiência total como deficiência parcial.

Na primeira consulta médica, antes mesmo da confirmação diagnóstica pelo teste quantitativo, o tratamento com a biotina já é iniciado. De modo geral, a ingestão de biotina não ocasiona efeitos colaterais.

O diagnóstico precoce, com o início do tratamento ainda nos primeiros meses de vida, assegura ao bebê uma vida normal sem qualquer sintoma da doença. Em crianças diagnosticadas precocemente, o uso de biotina preveniu as anormalidades clínicas e bioquímicas. Estudos demonstram que quanto mais precocemente o tratamento é instituído, melhor é a resposta clínica.

Não há nenhum outro cuidado específico além da reposição com a vitamina e do acompanhamento médico regular. Sugere-se que o acompanhamento com um médico pediatra ou geneticista com experiência no tratamento de erros inatos do metabolismo, em geral com a seguinte periodicidade de consultas médicas, podendo haver variações caso a caso:
  • Até um ano de vida: a cada três meses
  • De um a dois anos: a cada seis meses
  • Acima de dois anos: consultas anuais

terça-feira, 2 de abril de 2019

Dia Mundial da Conscientização do Autismo

O Dia Mundial da Conscientização do Autismo é lembrado no dia 2 de abril e tem como objetivo destacar os obstáculos que as pessoas com autismo - e também seus familiares e cuidadores - enfrentam todos os dias. Como um problema de saúde global, o autismo é uma questão que necessita de entendimento crescente por parte dos profissionais e também da sociedade como um todo.

A prevalência dos transtornos do espectro autista (TEA) é de cinco a cada 1.000 crianças, sendo mais frequente no sexo masculino. A origem do autismo é heterogênea e pode variar caso a caso, e a etiologia ainda é parcialmente desconhecida, porém diferentes síndromes genéticas podem ter o autismo como parte do quadro clínico. Tem-se demonstrado que cerca de 5-10% dos casos apresentam pequenas alterações do genoma chamadas variação do número de cópias (microdeleções ou microduplicações) que podem ser detectadas por técnicas de análise genômica (Figura 1). Assim como em outros transtornos de causa multifatorial, os riscos de recorrência do autismo são baseados em estimativas empíricas, ou seja, pela observação direta da recorrência da anomalia em diversas famílias.

Figura 1: Ilustração das causas de TEA e respectiva proporção.
Para mais informações procure aconselhamento genético com um médico geneticista.

Os transtornos do espectro autista caracterizam-se por 
a) limitação ou ausência de comunicação verbal; 
b) prejuízo na capacidade de interação social; e 
c) padrões de comportamento estereotipados e ritualizados. 

São classificados como transtornos do espectro autista o autismo típico, a síndrome de Asperger e o transtorno global do desenvolvimento. Os sintomas e o grau de comprometimento variam amplamente de indivíduo para indivíduo, mesmo quando consideramos apenas uma das classes do espectro. 

Cerca de um terço dos casos de autismo ocorre em associação com outras manifestações clínicas, como nos casos decorrentes de alterações cromossômicas ou que fazem parte do quadro de alguma doença genética conhecida. As doenças genéticas mais comumente associadas ao autismo são a síndrome do cromossomo X-frágil, a esclerose tuberosa, as duplicações parciais do cromossomo 15 e a fenilcetonúria não tratada.


sábado, 30 de março de 2019

Quando encaminhar a um médico(a) geneticista?

Principais condições clínicas que indicam a necessidade de encaminhamento para genética médica:
  • Atraso de desenvolvimento neuropsicomotor (ADNPM) associado a:
    • História familiar de consanguinidade ou de doenças rara ou de adnpm; ou
    • Alterações fenotípicas; ou
    • Perímetro cefálico abaixo do percentil 10 ou maior que o percentil 90; ou
    • Episódio de convulsão (exceto se convulsão febril) ou outras manifestações neurológicas como ataxia/coreia.
  • Deficiência intelectual moderada a grave por provável origem genética em indivíduo com pelo menos um dos critérios:
    • História familiar de deficiência intelectual; ou
    • Pais consanguíneos; ou
    • Paciente com características compatíveis de uma síndrome genética; ou
    • Presença de dismorfias ou infertilidade.
  • Suspeita ou diagnóstico de erro inato do metabolismo;
  • Paciente com diagnóstico ou suspeita de cromossomopatia (como síndrome de Down, Turner, Klinefelter, Patau, Edwards, etc.)
  • Presença de uma anomalia congênita maior ou três ou mais anomalias congênitas menores.
  • Crianças que no acompanhamento de puericultura apresentarem desaceleração do crescimento cefálico com medida inferior a – 2DP para idade e sexo.
  • Paciente com diagnóstico de neoplasia em idade precoce; ou
  • Paciente com diagnóstico de dois tipos de neoplasias primárias (exceto tumor de pele não melanoma); ou
  • Paciente com história familiar de risco elevado para câncer familiar.
  • Suspeita ou diagnóstico de ataxia ou coreia de provável origem genética, após avaliação com neurologista;
  • Mães e irmãos de paciente com diagnóstico de distrofia muscular de Duchenne/Becker; ou
  • História pessoal ou familiar de distrofia musculares ou miopatia de origem genética ou desconhecida.
  • Suspeita clínica de hipotonia e/ou atraso no desenvolvimento motor e resultados alterados de creatinofosfoquinase (CK) e/ou eletroneuromiografia (ENMG) em pacientes sem causa identificável; ou
  • Casais consanguíneos que planejam gestar e/ou com história familiar de diagnóstico ou suspeita de doença genética;
  • Gestante com história prévia de conceptos com malformações congênitas maiores; ou doenças raras (como cromossomopatias, erro inato de metabolismo, entre outras).
  • Paciente ou casal com história de aborto recorrente (perda espontânea e consecutiva de três ou mais gestações antes da 20º semana gestacional) e avaliação inconclusiva após investigação inicial.
  • Suspeita clínica de outras condições determinadas geneticamente.

CFM e SBGM oferecem capacitação para o reconhecimento de doenças genéticas

Videoaulas de Educação Continuada em Doenças Genéticas Raras foram desenvolvidas em parceria entre o Conselho Federal de Medicina e a Sociedade Brasileira de Genética Médica e Genômica. Estas são voltadas aos profissionais da saúde, e mais especialmente a médicos e estudantes de medicina.

O objetivo é fornecer conhecimento básico e introdutório de Genética Médica em quatro grandes temas: anomalias congênitas, deficiência intelectual, erros inatos do metabolismo e doenças de início tardio. Estes quatro temas representam justamente os Eixos principais da Política nacional das Doenças Raras, instituída pela portaria nº 199 de 2014.

As duas entidades buscam capacitar, de modo didático e acessível, médicos não especialistas em genética médica para reconhecer fatores de risco, sinais e sintomas que indicam suspeita de algum transtorno genético. Com isso, esses profissionais ficam habilitados para encaminhar adequadamente os casos que necessitam de avaliação com especialista e para oferecer, na atenção básica em saúde, cuidado médico às pessoas com doenças genéticas.

Professora Joanna Goes aborda o tema anomalias congênitas


Além disso, esta parceria rendeu o desenvolvimento e publicação recente de um excelente e-book sobre Genética Médica para não-especialistas. O acesso está disponível através do link:  https://drive.google.com/file/d/1zLVPJRGKtguVCd7ZfhqekU4_SClM3LmJ/view


quinta-feira, 28 de março de 2019

Dia mundial das Doenças Raras 2019


O dia mundial das Doenças Raras ocorre no último dia de fevereiro de cada ano. O principal objetivo da data é sensibilizar o público em geral, profissionais da saúde e autoridades sobre as Doenças Raras e seu impacto na vida dos pacientes que convivem com elas.

Entre as doenças raras estão a fenilcetonúria, gangliosidose, doença de Gaucher, mucopolissacaridoses, atrofia muscular espinhal, esclerose lateral amiotrófica, doença de Crohn e síndrome de Williams, entre outras. 80% das doenças raras têm origem genética, enquanto outras são resultado de causas autoimunes, degenerativas e proliferativas.

Uma doença é definida como rara quando afeta menos de 1 a cada 2 mil habitantes. No entanto, se somarmos as mais de 6 mil doenças raras existentes, o número de pessoas acometidas pode ser muito grande. Sabe-se que 1 em cada 20 pessoas viverá com uma doença rara em algum momento da vida.

Apesar disso, ainda não há cura para a maioria das doenças raras e muitas não são diagnosticadas ao longo de toda a vida. O dia das Doenças Raras busca melhorar o conhecimento entre o público em geral sobre estas condições, ao mesmo tempo em que incentiva os profissionais da saúde, pesquisadores, indústrias e gestores a abordarem e entenderem as necessidades das pessoas que convivem com tais doenças.

O primeiro dia das Doenças Raras foi comemorado em 2008, em 29 de fevereiro, uma data rara que acontece apenas uma vez a cada quatro anos. Desde então, esta data passou a ter lugar no último dia de fevereiro, um mês conhecido por ter um número raro de dias. A campanha começou como um evento europeu e se tornou mundial, com a participação em mais de 90 países em todo o mundo em 2018.

A qualidade de vida dos pacientes com estas doenças é afetada pela falta ou perda de autonomia devido aos aspectos crônicos e progressivos que a doença pode trazer. Além disso, muitas vezes não existe cura efetiva e, devido à raridade do quadro, a jornada para se chegar a um diagnóstico definitivo pode ser muito longa. Isso geralmente resulta em pesados ​​encargos psicossociais e financeiros para as pessoas acometidas e seus familiares.

Embora os indivíduos com doenças raras e suas famílias ainda enfrentem grandes e numerosos desafios, alguns progressos estão sendo feitos. A abordagem mais abrangente das doenças raras conduziu ao desenvolvimento de políticas de saúde pública em diferentes países. No Brasil, a Política Nacional de Atenção integral às Pessoas com Doenças Raras está em implementação desde a publicação da portaria nº 199, de 30 de janeiro de 2014, e vem desde então sendo progressivamente incorporada às práticas do Sistema Único de Saúde.

Ganhos importantes também continuam a ser obtidos com o aumento da cooperação internacional no campo da pesquisa clínica e científica, bem como com o compartilhamento do conhecimento sobre este grupo de doenças entre profissionais e pesquisadores clínicos. Ambos os avanços levaram ao desenvolvimento de novos procedimentos diagnósticos e terapêuticos e à descoberta de novas doenças raras. No entanto, o caminho à frente é longo, com muito trabalho a ser feito. 

Lembre-se, há raros entre nós!

Bibiana Mello de Oliveira
(Texto publicado no Jornal A Tribuna em 02/3/2019, caderno Saúde, alusivo ao Dia mundial das doenças Raras).

Publicação em destaque

Importância das pesquisas em Doenças Raras

Você sabia que as pesquisas em doenças raras desempenham um papel crucial na busca por respostas e soluções para condições médicas pouco con...